O compromisso da Alemanha com a geração de energias renováveis

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O resultado das eleições gerais de domingo na Alemanha trazem alguns pontos importantes para a política deste país que foi um dos pioneiros no uso e incentivo na geração de energias limpas como a solar e a eólica.  E marca um novo período de mais um mandato da chanceler Angela Merkel, do bloco conservador, e a estréia da ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD) no Parlamento como terceira força, de acordo com informações da EFE.

O compromisso de longa data da Angela Merkel para redução de emissões de gases e por seus esforços para ajudar o país a mudar para as energias renováveis, trouxe a líder da Alemanha o apelido de “A Chanceler do Clima “.

Mas muitos agora se perguntam se ela pode estar à altura dessa reputação, tendo em vista algumas de suas ações que não tem colaborado para que a Alemanha alcance alguns dos compromissos de redução assumidos no passado. Para ver uma linha do tempo  da chanceler com o meio ambiente, clique aqui.

VEÍCULOS ELÉTRICOS, UM CAMINHO?

Na Alemanha, um dos conflitos para redução da emissão de gases e para mudança da matriz energética, é a indústria automobilística,  que contribui para a emissão de gases pesados, e que tem gerado uma pressão por parte dos cidadãos perante os governantes do país e dos municípios, devido a influência na saúde dos cidadãos devido ao ar poluído, já que o ambiente e as edificações que vivemos influenciam nossa saúde.

O Bundesrat, conselho federal alemão, votou pela proibição dos motores de combustão interna até 2030. A partir desse ano, todos os carros vendidos na Alemanha deverão ter motores alimentados a eletricidade, hidrogênio ou outras fontes de energia limpa. De acordo com a revista alemã Der Spiegel, o incentivo aos veículos elétricos é uma das medidas tomadas para reduzir as emissões de dióxido de carbono na Alemanha em 95% até 2050. A resolução do Bundesrat, que representa os 16 estados alemães, não tem efeito legislativo: a medida precisa ser aprovada pela União Europeia para valer. No entanto, como lembra a Forbes, “as regulações alemães tradicionalmente têm moldado as regulações da União Europeia e da UNECE [Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa]”.

No caminho de mudar a sua frota de veículos para elétricos, o governo alemão tem um programa de incentivo, com redução do valor do carro dependendo se o mesmo for 100% elétrico , ou um plug-in híbrido, e pretendem ter 1 milhão de veículos nas estradas alemãs até 2020.

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O CUSTO DA ENERGIA RENOVÁVEL

O custo da energia renovável está caindo mais rapidamente do que os analistas previram poucos anos atrás, devido as tecnologias que estão reduzindo os custos dos parques eólicos e solares, ficando inevitável que a energia limpa se torne mais econômica do que os combustíveis fósseis para as companhias de energia elétrica. O avanço mais visível está no tamanho das turbinas eólicas.

Michael Liebreich, criador da Bloomberg New Energy Finance (BNEF), projetou dois “pontos de inflexão” em que o custo da energia renovável tornará cada vez mais atraente diante  da geração de eletricidade com gás natural e carvão, principais fontes de energia na Alemanha.

“O primeiro chegará quando a energia eólica e solar ficar mais barata do que qualquer outra”, disse Liebreich. No caso do Japão, em 2025 será mais barato construir uma nova usina de células fotovoltaicas do que um gerador de eletricidade a carvão. A energia eólica atingirá esse marco na Índia em 2030.

Um segundo ponto de inflexão, um pouco depois, será quando ficar mais caro operar as usinas a carvão e gás existentes do que gerar eletricidade com a energia eólica e solar. Segundo projeções da BNEF, isto poderia acontecer em meados da próxima década na Alemanha e na China.

A PRIMEIRA ECONOMIA DE ENERGIA RENOVÁVEL DO MUNDO

A Alemanha foi chamada de “a primeira economia de energia renovável do mundo “.

No domingo, 15 de maio de 2016 às 14:00 horas, as energias renováveis ​​forneceram quase toda a demanda interna de eletricidade.

Mais de 23.000 turbinas eólicas e 1.4 milhões de sistemas fotovoltaicos são distribuídos em toda a área do país com 357 mil quilômetros quadrados. A partir de 2011, o governo federal da Alemanha está trabalhando em um novo plano para aumentar a comercialização de energia renovável ,com foco especial em parques eólicos offshore . Um grande desafio é o desenvolvimento de capacidades de rede suficientes para transmitir a energia gerada no Mar do Norte aos grandes consumidores industriais nas partes do sul do país.

Segundo dados oficiais, cerca de 370 mil pessoas estavam empregadas no setor de energia renovável em 2010, especialmente em pequenas e médias empresas. Este é um aumento de cerca de 8% em relação a 2009 (cerca de 339.500 postos de trabalho) e bem mais do dobro do número de empregos em 2004 (160.500). Cerca de dois terços desses empregos são atribuídos à Lei das Fontes de Energia Renovável.

A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA DA ALEMANHA

O Energiewende , designa uma mudança significativa na política energética a partir de 2011. O termo engloba uma reorientação da política da demanda ao fornecimento e uma mudança da geração centralizada para a geração distribuída (por exemplo, produção de calor e energia em unidades de cogeração muito pequenas) , que deve substituir a superprodução e o consumo de energia evitável com medidas de poupança de energia e maior eficiência. 

De acordo com uma pesquisa de 2017 realizada para a Agência Alemã de Energias Renováveis, entre 1016 entrevistados, 95% dos alemães apoiam a expansão das energias renováveis. Quase dois terços dos entrevistados concordam com as usinas de energia renovável perto de suas casas. O apoio aumenta ainda mais se os entrevistados já tenham experiência com essas usinas em sua vizinhança.

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